Paulínia, Quinta-Feira, 23 de Fevereiro de 2012
     

EXCLUSIVO Da periferia paulinense para a segunda mais importante liga de basquete do mundo

Tiguila

25/08/11 - Ele nasceu em Porto Alegre, mas aos 8 anos mudou-se com a família para Paulínia, onde morou até os 14, no bairro São José. Hoje, aos 22 anos, Vitor Faverani é uma das estrelas da segunda maior liga de basquete do mundo, onde o jogador chega à faturar até 2 milhões de euros por ano. Esta semana, a contratação de Faverani pelo poderoso Valência, da Espanha, foi destaque na imprensa mundial, que o compara ao esloveno Erazen Lorbek, considerado o número um do mundo, na mesma posição – ala-pivô - em que Faverine conquistou a Espanha.

Numa entrevista exclusiva
a este colunista, por telefone e direto de Valência, o jogador contou um pouco de sua trajetória do São José à Europa, e do desafio de defender, nas próximas duas temporadas, um dos maiores clubes de basquete do planeta.

Tiguila - Como é ser comparado com o astro Erazen Lorbek?
Vítor Faverani – Para mim é uma grande honra, pois o cara é o melhor do mundo, nesta posição, e eu pretendo fazer o melhor, dar o melhor de mim, e buscar sempre me aperfeiçoar tecnicamente para poder chegar no patamar em que ele está.

Tiguila - Quando morava aqui, em Paulínia, você sonhava um dia ser contratado por um time europeu, da importância do Valência?
Vitor Faverani - Não, jamais. Todo mundo quando começa algum esporte sempre tem a ilusão de um dia jogar fora do país, ser um profissional conhecido, mas esta realidade para está sempre muito distante de nós. Tudo o que aconteceu comigo jamais imaginei que pudesse acontecer.
 
Tiguila - Como é disputar a liga espanhola de basquete?
É inexplicável. Já estou na oitava temporada aqui, mas ainda não acostumei. Essa é a segunda melhor liga do mundo, e para mim é uma luta constante, principalmente em busca de superação. Estou orgulhoso do que consegui até agora.
 
Tiguila - Você tem dupla cidadania, brasileira e espanhola. Qual parte de sua família tem descendência européia?
Vitor Faverani – Os meus avôs eram descendentes de italianos e alemães.
 
Tiguila - Você já jogou pela Seleção Brasileira?
Vitor Faverani – Em duas ocasiões, ambas pelo Sul Americano.
 
Tiguila – Você pretende voltar a defender o nosso País ou já está escalado para a Seleção da Espanha (risos)?
Vítor Faverani – Dois anos após chegar aqui fui convidado a jogar pela Seleção Espanhola, mas por ter jogado na Brasileira não foi possível. Uma possível volta à Seleção Brasileira, hoje, eu vejo muito distante. Os dois últimos treinadores da seleção vieram aqui na Espanha me convidar para integrar a equipe do Basquete Brasileiro, mas por motivos pessoais não aceitei e continuo tendo motivos para não jogar pela seleção.  
 
Tiguila – Jogar na NBA faz parte do seu projeto de vida?
Vitor Faverani - Acho que é o sonho de todos os jogadores. Mas, como não imaginei chegar até aqui, e cheguei, quem sabe um dia este sonho não vira uma realidade para mim.
 
Tiguila - Há quanto tempo mora na Europa e como foi o início de sua trajetória por aí?
Vitor Faverani – Estou aqui há oito anos. O começo sempre é difícil. Ficar longe da mãe, da família é muito difícil. Vim para cá e me tornei homem muito jovem, tinha 15 para 16 anos.
 
Tiguila – Como foi a sua vida aqui em Paulínia, e como surgiu a oportunidade de ir jogar aí, na Europa?
Vitor Faverani – Minha vida em Paulínia sempre foi difícil. Treinava handebol, natação, futsal, vôlei, menos basquete. Um dia o Chinês e o Jullys me arrastaram para os Jogos Abertos e, no último jogo, o treinador de basquete de Araraquara me convidou para treinar em sua equipe, durante uma semana. Na época estava quase completando 14 anos, acabei ficando um ano por lá, e seis meses depois já estava jogando na Seleção Brasileira. Depois surgiu a oportunidade para fazer um teste aqui, onde estou até hoje.
 
Tiguila – A família continua no Brasil ou está ai com você?
Vitor Faverani – Está ai no Brasil. De Paulínia, mudamos para Indaiatuba, depois para Águas de Lindóia, onde todos estão, até hoje. 
 
 Tiguila - Como é a rotina de um jogador de basquete por aí?
Vitor Faverani - O assédio da imprensa sempre existe, mas aqui no Valência tem sido muito grande. A minha rotina é comer, dormir e treinar. Vivo 24 horas para isso. Treino até meio dia, à tarde treino de novo, e, depois, volto para casa. Dia livre, apenas um, antes de cada jogo. No começo tive os meus escorregões, mas agora sou um cara bem centrado e regrado.
 
Tiguila - O basquete pode ser comparado ao futebol, em termos de "euros" (risos)?.
Vitor Faverani - Nunca, não chega nem aos pés. Mas, antes quero dizer que sou Barcelona aqui e Grêmio aí no Brasil. Voltando sobre salário, o futebol é o maior esporte do mundo, nesse quesito. Um jogador de basquete, aqui na Espanha, ganha até 2 milhões de euros por ano. O Cristiano Ronaldo chega a ganhar isso por mês.
 
Tiguila - Como o esporte, de uma forma em geral, é aplicado por aí na vida das crianças. Existem programas específicos, escolinhas, como aqui no Brasil? E o que você traria para cá, em termos de projetos de incentivo ao esporte?
Vitor Faverani - As oportunidades aqui são incríveis, a categoria de base é incrível, o incentivo é fenomenal. As escolinhas de esportes daqui realmente preparam as criancinhas para uma vida melhor. Pensando em melhorias, investimentos, oportunidades e incentivo, levaria a Espanha para dentro do Brasil, com todas as oportunidades que os espanhóis têm e que o esporte em geral no Brasil não tem..
 
Tiguila - Com Ibiza, uma das ilhas mais badaladas do mundo, praticamente aos seus pés (risos), é difícil resistir às tentações das baladas?
Vitor Faverani – Nos dias livres, temos tempo para tudo. Dou as minhas voltas, rolês, e já tive oportunidade de ir para Ibiza, mas não fui. A ilha é mostrada para o mundo como o nosso carnaval é mostrado, sem o lado ruim das coisas. Ninguém fala do alto consumo de drogas na ilha, mas coisas ruins existem em todos os lugares do mundo.
 
Tiguila - Como é a sua rotina pessoal?
Vitor Faverani – Não tenho lugares favoritos. Fico quase sempre dentro do apartamento, jogando game, quando to de boa, ou pego um cinema com a namorada.
 
Tiguila - Quando pretende vir ao Brasil, em Paulínia?
Vitor Faverani – Nas férias, rever o mais importante, a minha família. Se estou aqui hoje devo a minha mãe, pois foi ela quem fez vaquinha para eu comprar um tênis.
 
Tiguila – Finalmente, o que os professores Chinês e Jullys representam pra você?
Vitor Faverani - Eles representam o meu começo. O primeiro arremesso, a primeira bronca, tudo foi com eles. Por isso, quero aproveitar a oportunidade que você está me dando para mandar o seguinte recado para eles: “Obrigado Professores, pois, se hoje estou aqui foi porque vocês também me ajudaram e ensinaram parte de tudo que aprendi. De coração, agradeço muito”.

Fotos: Reprodução/Internet
 
 
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